06 abril 2013

Resenha: A Culpa é das Estrelas do autor John Green

Pela primeira vez o Capitão errou. Como eu já expliquei a vocês não consegui cumprir o Desafio Realmente Desafiante de Fevereiro pois estava numa baita Ressaca Literária que, felizmente, acabou a tempo do desafio nº 3: Ler um livro com a capa verde, vermelha ou azul.
Na verdade eu li dois que se encaixam na regra, mas escolhi resenhar A Culpa é das Estrelas por que, em muito tempo - e com "muito tempo" quero dizer anos - esse é o primeiro livro que mexeu comigo profundamente. 
Eu não tô falando de chorar como se o mundo tivesse acabado (até porque eu nem sequer existiria pra isso), mas em vários momentos as lágrimas rolaram pelo meu rosto antes que eu sequer percebesse que elas surgiram ou o porque de me sentir triste. Já em outros, menos tensos, cheguei a rir junto com os personagens.


SINOPSE

A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas.

Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.

CLASSIFICAÇÃO: ♥



Respondendo a alguns questionamentos dos fãs, o John Green disse que "quis escrever um livro sobre como vivemos num mundo que não é justo, e sobre ser ou não possível viver uma vida plena e significativa mesmo que não se chegue a vivê-la num grande palco". Acho que ele conseguiu o que queria.
Apesar de abordar a temática do câncer e todos os problemas e mudanças incluídos nela de forma verdadeiras (sem seguir estereótipos), a doença torna-se mera coadjuvante diante dos personagens. Eles pulsam vida mesmo estando tão familiarizados com a morte. Me senti contagiada por eles e cheguei a ponderar alguns dos ideais que antes considerava importantes e necessários para uma vida significativa. É um livro que marca a vida de quem o lê.


A narrativa segue o estilo dramédia na maior parte da história, pois os personagens costumam fazer piadas sobre o câncer em praticamente todos os momentos. Acha uma atitude de mal tom? Eu não. Realmente admiro quem consegue rir e fazer rir mesmo nas piores situações.



A trama inteira gira em torno do casal Hazel Grace e  Gus Augustus Waters. A gente percebe que a Hazel e o Augustus estão apaixonados praticamente no inicio do livro o que só torna mais exasperante a espera pelo 1º beijo  deles que só ocorre bem depois do meio.
Observação: A espera vale a pena. Não consigo imaginar um local mais incrível pra  o momento. Deu um toque de confissão ao beijo. Perfeito!
E então, de repente, estávamos nos beijando.
O romance deles é lindo. Não é só um amor adolescente... é mais que isso. É um pequeno infinito.

Nós éramos muito diferentes, e discordávamos em muitas 
coisas, mas ele era sempre tão interessante, sabe? [...] Ele não era perfeito nem nada. Ele não era um príncipe encantado 
de conto de fadas, e tal. Tentava ser assim às vezes, mas eu gostava mais dele quando essas coisas desapareciam. 
Outros personagens merecem destaque: Isaac e Peter Van Houten são alguns deles.

O Isaac é tipo a ponte entre a Hazel e o Augustos. É graças a ele que os dois se conhecem. É ele também que nos oferece a primeira noção da dificuldade de se lidar com uma doença como o câncer. 
Não trata-se apenas de dores corporais ou da competição doença X tratamentos: quem me mata antes. Isso é brutal, mas não se compara as dores emocionais. Dói pra caramba. Dá pra sentir que dói e "Esse é o problema da dor – o Augustus disse, e aí olhou pra mim. ─ Ela precisa ser sentida" (pág. 56)
É tentando conviver com a dor que os três se tornam grandes amigos.
– Você sabe com o que ele se parece, Isaac?
Ele se parece com todas as esperanças que fomos tolos em alimentar.

Agora falemos sobre o Peter Van Houten, o autor preferido da Hazel e do Augustus por seu esplêndido desempenho na criação de Uma Aflição Imperial (obra literária fictícia).
O Peter é um gênio surpreendentemente frustrante. Em pouquíssimas páginas ele acaba com a idealização onírica que somos estimulados a formular desde o prefácio. 

Acho que eu surtaria se ouvisse as coisas que ele disse da boca do meu autor favorito. Eu entendo que ele não fez por maldade (espero que não) só que ainda sim é difícil não ficar furiosa.

Você [Van Houten] é uma pessoa de merda, mas um bom escritor.


É isso que mais gosto na história do John Green. A todo momento ele nos faz acreditar que a vida nem sempre é o que esperamos ou merecemos sem, entretanto, nos induzir a deixar de acreditar que vale a pena viver.

Ok. Agora acho que é melhor parar a resenha. Não quero revelar a história. Espero do fundo do coração que vocês leiam o livro. O John Green arrasou em tudo. É emocionante em níveis estratosféricos. Vocês precisam ler!

P.S. Se alguém de vocês tiver acesso a lista de compras do John Green... Eu Quero!